Na escola Terra Firme, em Curitiba, não há pressa para fazer os alunos começarem a teclar nos computadores. Como conteúdo de disciplina, a informática entra no currículo da escola apenas a partir da 5ª série. No ensino fundamental, de 1ª a 4ª, os alunos são desestimulados a se aproximar de computadores, ao contrário das escolas tradicionais. ‘‘Aqui na Terra Firme, durante o ensino fundamental eles podem fazer pesquisas na internet, mas não é permitido o uso excessivo do computador’’, explica a pedagoga e diretora da escola, Sandra Cornelsen. Segundo a pedagoga, que tem pós-graduação em educação infantil na Universidade de Londres, o contato precoce e continuado com computadores cria uma certa dependência dos alunos a essa ferramenta. ‘‘Com isso, eles podem se afastar dos livros e até a 4ª série é muito importante que se crie o hábito da leitura’’. A escola possui cerca de 90 alunos do ensino fundamental. Os pais são informados da decisão da direção pedagógica sobre o ensino de informática e concordam. ‘‘As escolas que seguem a corrente construtivista, como a nossa, têm como objetivo principal estimular a criatividade da criança e fazer com que ela construa seu próprio aprendizado’’, explica Cornelsen. Na opinião dela, tendo a informática como conteúdo disciplinar ao invés de ser apenas um instrumento, a criatividade é limitada. ‘‘Não sou radicalmente contra a informática no ensino fundamental, mas ela deve estar à disposição do aluno para estimular sua criatividade e não restringir o desenvolvimento da criança.’’ Além das limitações de uso dos computadores, a escola Terra Firme também não adota livro didático ou apostila. Esse tipo de material limita o aprendizado e o torna fragmentado, de acordo com a pedagoga. "Preferimos trabalhar com textos apresentados pelos professores ou produzidos por grupos de alunos, que colaboram muito mais para o desenvolvimento individual das crianças", completa.
(Emerson Cervi de Curitiba)