TERRA FIRME
 
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Mais do que uma aula por semana
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Arte-educação: Colégios incluem a vivência artística na rotina dos alunos, promovendo atividades que estimulam a percepção mais do que uma aula por semana uso de música e pintura em experiências educacionais formam crianças mais independentes, criativas e alegres. O contato com a criação artística desperta a criatividade. Na Terra Firme, além das artes plásticas, as crianças aprenderão a ler partituras. Com o corredor cheio de mochilas, desenhos pendurados nas paredes das pequenas salas de aula e o comportamento livre e, principalmente, alegre e seguro das crianças demonstram que não se trata de uma escola tradicional de ensino. A Terra Firme é um dos estabelecimentos de ensino da capital paranaense que coloca a arte na rotina do ensino. Por toda parte é perceptível o carinho das crianças com a diretora - chamada pelo nome -, e que não lembra em absolutamente nada os temidos diretores de antigamente. A escola, particular, pode ser considerada parte de uma verdadeira "ilha" no ensino. Como o são também a Lúmen, Anjo da Guarda, Palmares e, no âmbito do ensino público, o projeto Oficina de Arte da Secretaria de Educação de Araucária. A pedagoga Sandra Cornelsen é figura importante na definição de um novo rosto para o ensino básico em Curitiba. Hoje uma das proprietárias de Terra Firme, já trabalhou na Palmares e na Anjo da Guarda. No caminho, sempre buscou inovar e renovar, e encontrou nas teorias de André Lapierre a base para desenvolver um trabalho educacional que leva em conta a expressão corporal e está em constante desenvolvimento. "Mesmo na educação progressista faltava embasamento teórico e vincular o corporal ao emocional, para que a criança não fique quatro horas olhando para um quadro negro", diz. A escola segue uma linha baseada na participação da criança no aprendizado e a figura do professor, dono da verdade, foi abolida. Mas não se trata de puro espontaneísmo, como pondera também a proprietária da Lúmem, Priscila Ferraz Magalhães De Masi. "É um trabalho muito fundamentado, mas tem gente que se assusta, pois chama a atenção uma criança de 2 anos pedindo um livro sobre Van Gogh", comenta ela, que dá destaque para artistas nacionais e paranaenses. A estratégia na Lúmen é contar a historia dos artistas como se contasse a de Chapeuzinho Vermelho. "A professora se veste como o personagem, leva imagens e, apesar das dificuldades, temos conseguido levantar material sobre artistas brasileiros, como Volpi, para despertar a sensibilidade", pondera, contando que neste semestre será abordada a obra da paranaense Denise Roman, que dará aula de gravura e será entrevista dada pelos alunos, que têm entre 1 e 6 anos. Na Palmares há também a intenção de reforçar atitudes cooperativas. As crianças vão naturalmente aprendendo a reconhecer e a respeitar os espaços dos outros, sem imposições. "A arte não é só uma manifestação da humanidade, mas um caminho de expressão fundamental para a criança", pondera Yara Amaral, diretora pedagógica da Palmares. Lá, têm igual importância as linguagens visual, auditiva e gestual. O teatro entra na rotina através da dramatização de passagens históricas. "A idéia é que o professor transponha os limites de suas disciplinas através do uso de linguagens artísticas", diz a diretora. Embora pareça que as artes plásticas têm mais espaços nesses projetos de ensino, a parte musical é tratada com igual carinho e rigor, com o cuidado de apresentar às crianças, música de melhor qualidade - sem contudo constranger o gosto pessoal. Optar por uma postura diferenciada, no entanto, não significa que as pedagogas condenem os modos tradicionais. Um ponto em comum é que tudo depende da postura do professor diante dos alunos. Eugênio Gielow, que desenvolveu um projeto de arte-educação de sucesso com adolescentes da sétima série do Colégio Dom Bosco, ressalta que a arte não pode ser vista pelo aluno como um artifício do professor para atrair sua atenção. "É necessário reconhecer o valor artístico para que não se caia numa mera análise de textos, como quase sempre acontece no ensino tradicional", observa. Boas mudanças Após um período marcado apenas pelo aprendizado da técnica e sem qualquer diálogo cultural, o ensino das artes nas escolas de primeiro e segundo graus do estado está passando por uma transformação. As mudanças estão apoiadas nos novos parâmetros da LDB (Lei de Diretrizes Básicas da Educação),e começaram a ser implantadas neste ano. "É o momento de professores e comunidade discutirem qual será o papel das artes na formação do indivíduo", afirma o professor Carlos Alberto de Paula, responsável pela área de Educação Artística da Secretaria Estadual de Educação. Não será abandonado o ensino da técnica, mas a aprendizagem e a produção artística serão contextualizadas e estarão aliadas à leitura da realidade. Mas o ensino de artes (que substitui a nomenclatura Educação Artística) correu o risco de ser riscado do mapa. "Foi necessário, quando da aprovação da LDB, um grande movimento da classe docente para que na lei constasse a obrigatoriedade da disciplina nos currículos, como já vinha acontecendo", lembra a professora Marieta Paulin Scariante, da equipe de Capacitação Profissional da Secretaria Municipal da Educação. Essa nova realidade também está provocando uma reformulação nos currículos das instituições de ensino, responsáveis pela formação dos professores como, por exemplo, a Faculdade de Artes do Paraná (FAP). "A preocupação é atender os parâmetros mínimos da LDB, mas de olho na realidade do aluno", afirma a professora Rosymeire Odara. Ela diz que hoje há necessidade de dialogar com outras áreas do conhecimento, como também com as novas linguagens dos meios de informação.
Gazeta do Povo - Adriane Perin Roberto Nicolato