Ensino Fundamental
Ensino Fundamental
Em 1988, a Escola Terra Firme foi fundada com uma proposta diferente. Sua diferença é o modo de ensinar os alunos. Aqui não existem carteiras enfileiradas, tampouco, crianças sentadas o tempo todo, "prestando atenção" na aula que o professor dá, voltado para o quadro negro. As crianças trabalham em grupos, nem sempre sentadas ou em sala de aula. Todos trabalham com pesquisas de textos questionados pelo grupo, o que torna o aprendizado vivo, em constante movimento, e exclusivo de cada aluno.
Segundo a coordenadora de projetos da Escola, Laura Monte Serrat Barbosa: "Na Terra Firme nós trabalhamos em cirandas. O Ensino Tradicional trabalha em maratonas onde existe um sinal de largada e outro de chegada e o principal objetivo é chegar à frente e fazer o maior número de pontos. Na ciranda se dança uma mesma música de várias maneiras e as diferenças enriquecem os "cirandeiros" que estão sempre crescendo em espiral". Através de projetos, as crianças aprendem o que todas as crianças de outras escolas aprendem, só que de uma maneira bem diferente. Segundo Philippe Perrenoud: "Enquanto as escolas forem indiferentes às diferenças, o fracasso escolar persistirá".
Os alunos são avaliados e avaliam-se continuamente fazendo e refazendo em cima dos erros, vivendo a aprendizagem sem culpa e com prazer. Segundo Gilberto Dimenstein: "O que hoje é óbvio para poucos será senso comum: a escola como a conhecemos, transmissora de conteúdos avaliados por testes, será encarada como sinal de educação de baixa qualidade. A escola que avalia os alunos em provas, cobrando a memorização, já terá deixado de existir. Entrar nas melhores faculdades só vai exigir capacidade de raciocínio e de associar informações". Através dos projetos, as relações de aprendizagem se estabelecem por interesses comuns às mais diversas áreas. A partir da relação de um projeto do meio ambiente com a matemática, por exemplo, foi possível a construção de uma magnífica horta com o projeto da "Espiral de Arquimedes", com a inclusão de todos, alunos e professores.
Outro exemplo memorável aconteceu com a turma da 1ª série onde foi feito um trabalho com o livro da Unicef onde existem crianças de todos os lugares do mundo. Os alunos conhecem um de cada vez, por exemplo: o Pablo da Argentina. Onde mora? Qual a bandeira de seu país? Que moeda os argentinos usam? Do que gostam em seu país, e outras questões que surgem a partir de questionamentos dos próprios alunos ou alunas, trabalhando de forma brilhante várias matérias num projeto só. Segundo Rui Canário: "Construir a escola do futuro supõe a adoção do procedimento inverso: transformar os alunos em pessoas. Só nessas condições a escola poderá assumir-se para todos, como um lugar de hospitalidade".
Os benefícios são muitos e um deles é o interesse da criança em ir para a escola. Torna-se gostoso aprender, fazem relação do que aprendem com coisas que vivem em seu dia a dia. Tornam-se pessoas questionadoras e pensantes com interesse pela leitura e facilidade para relações.