Para muitos Pais, principalmente os de primeira viagem, lidar com as diversas fases do desenvolvimento dos filhos, mais que um desafio, é quase um pesadelo. Nesses casos, as escolas maternais ou berçários podem representar aliados valiosos, desde que seus profissionais sejam treinados e estejam preparados para esse trabalho. A Escola Terra Firme, que mantém turmas do berçário à 5º série, fundamenta seu trabalho nas técnicas do francês André Lapierre sobre a relação corporal do ser humano com o ambiente. "A criança descobre o mundo usando o corpo, principalmente na fase de zero a um ano e meio, quando a linguagem verbal ainda não foi desenvolvida", explica a pedagoga e diretora da escola Sandra Cornelsen. Ela conta que os profissionais que trabalham com as crianças do berçário, assim como os professores das outras séries, são treinados para que estejam disponíveis para essa comunicação corporal. "O estímulo constante é fundamental nessa fase, tanto em casa como na escola", afirma. Segundo Sandra, pessoas muito protetoras não podem fazer esse trabalho porque impedem que a criança se suje ou mesmo caia, durante as tentativas de explorar o mundo à sua volta. "Na Terra Firme, a criança é levada a usar o próprio corpo para estabelecer a relação com objetos, com o outro e com o mundo", esclarece. Esse trabalho vem sendo supervisionado pelo mestre em Educação Especial Leopoldo Vieira, que também é pós-graduado pela Universidade de Boston na Área de Movimento. Vieira foi o primeiro psicomotricista reconhecido por André Lapierre na América Latina. Limites Nos casos em que se constata uma agressividade mais aparente, a criança é direcionada a um atendimento diferenciado. Primeiro, o histórico da criança é estudado desde a gravidez da mãe ao nascimento, para tentar identificar a causa desse comportamento. “Somente em situações mais graves, fazemos uma indicação terapêutica, mas na escola, o atendimento dessa criança também será voltado para o trabalho corporal, para que ela aprenda a ter limites”, diz Sandra Cornelsen. E exemplifica: “Quando ela chuta ou morde um coleguinha, ao ser revidada vai perceber que há um limite para aquele comportamento. Isso ajuda a estabelecer limites para toda a vida. A pedagoga ressalta, no entanto, que a agressividade também tem um lado positivo que é de preparar para a luta, criando um espírito guerreiro (no bom sentido). Por isso, não se deve tentar matar totalmente esse comportamento. As mentirinhas são uma forma de chamar a atenção dos adultos. Saindo das fraudas a época de abandonar as fraldas também deve receber uma atenção especial em casa e na escola. “A mãe deve estar segura sobre o momento de fazer a mudança e combinar com a escola como fazê-la, para que não haja conflito entre os dois mundos da criança”, diz Sandra Cornelsen. Ela afirma que em geral não chega a ser uma fase traumatizante, desde que também não o seja para quem cuida da criança. “Quem troca a roupa suja não pode demonstrar nojo ou brigar porque isso pode gerar problemas no futuro”, aconselha. A psicóloga e diretora administrativa da escola e berçário Lima Lua, Adriane Piekarski Mesquita, diz que na fase em que a criança começa a aprender a controlar o esfíncter, que deve ser por volta de um ano e 10 meses, o difícil é justamente conciliar o trabalho da escola e dos pais. “Muitas vezes, a criança consegue um grande progresso na escola, ficando várias horas sem as fraldas, mas, em casa, os pais acham mais cômodo mantê-las, o que acaba dificultando a adaptação”, explica. Quanto às “mentirinhas”, comuns dos dois aos quatro anos, Sandra Cornelsen lembra que, na verdade, elas são manifestações da fantasia infantil e a fantasia faz parte do desenvolvimento, não devendo ser reprimida. “Nesses casos, o papel dos adultos é estabelecer a realidade ao lado da fantasia”.
Gazeta do Povo